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Guia de implementação. Este material organiza a contratação, o acompanhamento e a documentação da avaliação técnica de projeto. A avaliação em si é serviço de engenharia, conduzido por profissional habilitado e independente do autor do projeto.
Guia gratuito · ABNT NBR 6118:2023 / Em1:2026 · Seção 5.3

Como organizar a ATP nas suas obras

Em 11 de março de 2026 a ABNT publicou a Emenda 1 da NBR 6118. A Seção 5.3 foi substituída inteira e a avaliação técnica de projeto passou a integrar o fluxo formal de desenvolvimento do projeto estrutural. Quase tudo que se publicou sobre a emenda foi escrito para calculistas. Este guia é para o outro lado da mesa: quem contrata o projeto, coordena a compatibilização e libera a obra para execução.

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Rode o checklist da sua obra

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Os oito blocos do guia, logo abaixo, explicam cada item desta lista.

Suas obras

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Enquadre a sua obra Indicativo
Bloco 01

O que mudou

A avaliação técnica de projeto, a ATP, deixou de ser prática recomendada e passou a ser etapa formal do desenvolvimento do projeto. A norma determina que ela seja realizada em todos os projetos de estruturas, conduzida antes da construção, e recomenda que aconteça logo após a entrega de cada fase de projeto.

Na prática da contratação: o projeto que chega para execução precisa ter passado por uma segunda checagem técnica, feita por quem não o calculou, e essa checagem precisa ter deixado documento.

TemaAntesDepois da Emenda 1
Avaliação independentePrática recomendadaEtapa formal do desenvolvimento do projeto
Profundidade da revisãoCritério do contratanteDefinida pela classe de consequência
RegistroVariávelParecer que integra a documentação do projeto
Quem avaliaNão delimitadoProfissional habilitado e independente do autor
MomentoNão delimitadoConcluída antes da construção
Bloco 02

Enquadramento da obra

A classe de consequência classifica a estrutura pela gravidade potencial das consequências de uma falha. Ela define a profundidade da avaliação e precisa ser definida no início do projeto, registrada nos documentos contratuais e técnicos.

ClasseCasos típicos
CC1Edifícios residenciais unifamiliares com até dois pavimentos habitáveis. Edifícios agrícolas normalmente não ocupados permanentemente por pessoas.
CC2Edifícios residenciais multifamiliares e comerciais com até cinco pavimentos habitáveis. Muros de contenção com até 2,5 m de altura de empuxo. Pequenas reformas sem eliminação de pilares e com acréscimo de cargas de no máximo 5% do total.
CC3Mais de cinco pavimentos habitáveis. Subsolos de qualquer tipo. Estruturas protendidas. Marquises em geral. Balanços superiores a 3 m. Contenções acima de 2,5 m de altura de empuxo. Qualquer tipo de reforma com eliminação de pilares. Escolas, hospitais, shopping centers, estádios, centros de convenções, arenas, cinemas, teatros, salas de concerto, arquibancadas e ginásios. Pontes, viadutos, passarelas, aeroportos e estações ferroviárias, metroviárias e aquaviárias. Estruturas de obras industriais, portuárias, de mineração, de telecomunicações e de energia. Barragens e obras hidráulicas em geral. Silos.
O ponto que mais gera erro

Uma estrutura vai para CC3 por uma única característica. Um edifício baixo, dentro do perfil de CC2, migra para CC3 se tiver subsolo, marquise ou elemento protendido. Um empreendimento de quatro pavimentos com subsolo de garagem é CC3, sem hipótese de dispensa.

Repare também que marquise e balanço são casos separados na tabela. O limite de 3 m vale para o balanço. Marquise é CC3 em qualquer dimensão.

Regra de desempate

Havendo dúvida sobre a classe, a norma determina a adoção de CC3. O enquadramento em classe menor precisa ser tecnicamente justificável.

Bloco 03

Escopo da avaliação

A norma determina que a avaliação verifique se as premissas adotadas estão de acordo com os requisitos, analise os cálculos e avalie as especificações e os desenhos, inclusive os detalhes construtivos. Tomando a Recomendação ABECE 002:2015 como referência técnica da atividade, isso se desdobra em quatro frentes.

01

Análise estrutural

O avaliador define e explica um modelo estrutural próprio e compara os resultados com os do projeto: solicitações, deslocamentos e comportamento global, incluindo interação solo-estrutura e método construtivo quando relevantes.

02

Verificações em serviço (ELS)

Flechas em lajes e vigas, deslocamentos horizontais entre pavimentos e no topo, aberturas de fissura, vibrações e conforto, tensões nas etapas de protensão. Sempre com o valor verificado, o item de norma de referência e a conclusão de conformidade.

03

Verificações últimas (ELU)

Estabilidade global, capacidade resistente das seções, comparação entre a armadura detalhada nos desenhos e a necessária pela análise, efeitos de segunda ordem em elementos esbeltos, elementos especiais como transições, consolos, contenções e blocos, e a estrutura em situação de incêndio.

04

Representação técnica

Clareza das formas e armações, exequibilidade dos detalhes e completude das informações construtivas: sequência executiva, cimbramento, contraflechas, forças de protensão e especificações de materiais.

A diferença entre as classes está na profundidade

Em CC3 a norma exige que o avaliador desenvolva modelos e análises estruturais independentes. Não basta conferir entradas e resultados do modelo do autor, porque a análise precisa ser capaz de identificar erro de concepção, de modelagem ou de distribuição de rigidez.

Em CC1 e CC2 o avaliador analisa o memorial de cálculo e revisa os cálculos nele existentes, sem a exigência de desenvolver modelo próprio.

O que o contratante precisa fornecer

A qualidade da avaliação depende da completude do pacote entregue ao avaliador: projeto estrutural completo, com formas, armações e locação de pilares com cargas, parâmetros e critérios adotados, memória de cálculo quando contratada, sondagens, arquitetura, projetos complementares e o método construtivo previsto.

Preveja esse fornecimento no contrato com o projetista. É o atrito mais comum no início dos trabalhos.

Bloco 04

Quando cabe dispensa

A norma admite dispensa apenas em CC1 e CC2, e apenas se as três condições ocorrerem em conjunto:

  1. Projetista da estrutura e contratante concordam
  2. A decisão é formalizada
  3. O documento passa a fazer parte da documentação de projeto

Não há previsão de dispensa para CC3.

Antes de dispensar

A dispensa reduz custo e prazo, e elimina uma barreira de controle. Em estruturas CC2 com geometria incomum, fundação sensível, grandes balanços ou mudança de uso, a revisão independente continua sendo racional mesmo quando formalmente dispensável.

Bloco 05

Quem pode assinar

O responsável pela avaliação deve ser profissional habilitado e independente em relação ao autor do projeto estrutural. A independência não é apenas formal: o avaliador precisa ter liberdade técnica para questionar premissas, solicitar documentos, refazer verificações, registrar divergências e emitir conclusão não condicionada ao autor.

O que caracteriza a avaliação

  • Profissional habilitado, distinto do autor do projeto
  • Liberdade para questionar premissa e refazer verificação
  • Conclusão não condicionada ao autor
  • Parecer que integra a documentação do projeto

O que não substitui

  • Revisão interna feita pelo próprio escritório que calculou, que continua sendo controle de qualidade útil, mas é outra coisa
  • Conferência informal por colega de equipe
  • Comentários avulsos em arquivo ou mensagem

Escolha e conduta

A escolha do avaliador é atribuição do contratante. Vale permitir que o projetista recuse um primeiro indicado, com o contratante indicando outro em seguida, o que favorece a colaboração durante os trabalhos. Exija experiência comprovada no sistema estrutural adotado na obra, e conte com sigilo sobre ocorrências e recomendações das avaliações conduzidas.

Dever de mão dupla

O autor do projeto deve alertar o contratante sobre a obrigatoriedade da avaliação. O contratante deve informar ao autor do projeto quem é o profissional responsável pela ATP. As duas obrigações estão na norma e costumam passar despercebidas.

Um ponto pouco discutido: escritórios que também projetam não podem assinar a avaliação das próprias obras. Ao escolher o avaliador, verifique se ele tem, ou pode vir a ter, vínculo de autoria com o projeto avaliado.

Bloco 06

Plano de avaliação

Avaliador e projetista devem estabelecer de comum acordo prerrogativas, exigências, documentos necessários, forma de comunicação, responsabilidades e tratamento de decisões conjuntas. Na prática isso vira um documento único, que reúne:

  • Classe de consequência e escopo da avaliação
  • Fases de projeto avaliadas
  • Lista de documentos a receber
  • Softwares e modelos de referência
  • Critérios de aceitação e forma de registro de pendências
  • Prazos de resposta e responsáveis de cada lado
  • Procedimento para revisões

As cinco modalidades, conforme o estágio do empreendimento

A Recomendação ABECE 002:2015 define cinco tipos de avaliação em função da fase em que o projeto ou a obra se encontra:

  1. Em paralelo ao desenvolvimento do projeto. O avaliador acompanha desde o início, interagindo fase a fase. É a modalidade de maior valor, porque as correções acontecem enquanto ainda são baratas.
  2. Após a conclusão do projeto. Avaliação do pacote completo antes da obra.
  3. Após o início do projeto. Caso misto: o que já está concluído é avaliado como pacote, o restante é acompanhado em paralelo.
  4. Após a construção da estrutura. Verificação de estrutura já executada, com informações de as built.
  5. Após manifestações patológicas. Investiga a real participação do projeto nas causas das patologias, com inspeção da estrutura.

A avaliação técnica também cabe em obra pronta e em edifício com patologia. Mas o custo da correção cresce a cada modalidade.

Momento de contratar

A norma recomenda que a avaliação ocorra logo após cada fase de projeto, e ela deve estar concluída antes da construção. Contratação tardia transforma avaliação em correção de obra, e correção identificada tarde, quando exige reforço, custa várias vezes o valor do elemento original.

Bloco 07

O parecer

O resultado da avaliação não é um documento único no fim, é um ciclo. O avaliador emite relatórios por etapa, com as não conformidades classificadas por criticidade. O projetista realiza os ajustes ou justifica tecnicamente as divergências, e essas respostas são anexadas ao próprio relatório. O parecer consolidado fecha o ciclo e passa a integrar o projeto.

Comentários informais em arquivo ou mensagem isolada não substituem esse registro.

Conteúdo mínimo recomendado

  • Identificação do empreendimento e classe de consequência
  • Autor do projeto e avaliador
  • Revisões examinadas e documentos recebidos
  • Premissas adotadas
  • Modelos independentes ou verificações realizadas
  • Não conformidades identificadas e respostas do projetista
  • Pendências e conclusão
Bloco 08

Divergências: quem decide

Ajustes decorrentes da avaliação são decididos em comum acordo entre contratante, autor do projeto e avaliador. A decisão sobre a solução final permanece com o profissional responsável pelo projeto. O avaliador não assume a autoria: ele emite parecer e recomendações.

Quando uma recomendação não for adotada, a justificativa técnica deve ser registrada. A ausência de registro gera incerteza futura sobre quem decidiu e com base em qual premissa, e essa incerteza costuma aparecer no pior momento possível.

Divergência incontornável entre avaliador e projetista tem saída: o contratante pode convocar um terceiro profissional ou instituição para opinar. Vale deixar esse mecanismo combinado no plano de avaliação, antes de precisar dele.

Delimitação

O que a avaliação técnica não faz

Vale fechar pelo limite, porque é a primeira dúvida de quem contrata.

Economicidade não integra o escopo. A própria norma diz que a economicidade da solução adotada não faz parte do escopo da ATP. Se o projeto atende às normas, o grau de economia da estrutura não é objeto de comentário do avaliador. Otimização estrutural é um trabalho legítimo e valioso, mas é consultoria, com outro contrato e outro responsável.

A avaliação não produz o projeto de reforço. Quando identifica a necessidade, o avaliador indica o elemento e a justificativa. O projeto do reforço é do projetista original ou de um terceiro, e a verificação dele é nova contratação.

Compatibilização com as demais disciplinas fica de fora. Verificar o projeto estrutural frente à arquitetura e às instalações é trabalho de coordenação, não integra a avaliação técnica.

Autoria não muda. Em hipótese alguma o avaliador assume a autoria do projeto avaliado.

Entender essas fronteiras antes de contratar evita as duas frustrações mais comuns: esperar que a avaliação barateie o projeto, e esperar que ela resolva o que encontrar.

Flux Estruturas

Itens em aberto nas suas obras?

Fazemos avaliação técnica independente em concreto armado, alvenaria estrutural, parede de concreto e protendido, em qualquer das cinco modalidades, com relatório por criticidade e ART de verificação estrutural. Não fazemos projeto no mesmo empreendimento em que prestamos avaliação.

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Fontes. ABNT NBR 6118:2023 com a Emenda 1 de 11 de março de 2026, Seção 5.3. Recomendação ABECE 002:2015, para o desdobramento do escopo e as cinco modalidades de avaliação.

Este material não reproduz o texto normativo. Para projeto, contratação, fiscalização ou execução, consulte a versão oficial e consolidada da norma. O enquadramento oferecido aqui é indicativo e não substitui a definição formal da classe de consequência no projeto.

A ART de verificação estrutural citada é prática da Flux Estruturas em toda avaliação que conduz, não requisito da Seção 5.3.